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Dona Flor e seus dois maridos

(Romance, 1966)

Conta Jorge Amado que, certa feita, conheceu uma senhora que vivia atormentada. Tinha sido casada com um boêmio, enviuvou, casou-se de novo - desta vez, com um português bem comportado. Ia tudo muito bem, até que o primeiro marido começou a aparecer em seus sonhos, querendo ir para a cama com ela. Daí a sua perturbação. Uns trinta anos mais tarde, caminhando com um amigo pelas ruas de Salvador, Jorge Amado viu um sujeito todo vestido de branco, estirado numa escadaria, num tremendo porre. Lembrou-se, de imediato, de um amigo de juventude, Vadinho - sujeito rico, farrista, jogador, que vivia “perdendo dinheiro e ganhando mulheres”. Alguns quarteirões adiante, topou com uma placa, fixada na porta de uma casa, onde se lia: Escola de Culinária Sabor e Arte. Para completar o quadro, Jorge Amado e seu amigo se extasiaram, nessa mesma tarde, com a visão de uma belíssima morena, debruçada na janela de um sobrado. Jorge Amado comentou então que, àquela morena deslumbrante, Vadinho certamente teria dito: “quero saborear-te”. De repente, as cenas desse passeio a pé por Salvador se fundiram com as imagens da senhora aflita, assediada em sonhos pelo primeiro marido. Tudo se acoplou de tal forma que, no dia seguinte, Jorge Amado já estava em cima da máquina, escrevendo um novo romance. E assim veio à luz, em 1966, a história de Flor, dona da conceituada Escola de Culinária Sabor e Arte, e de Vadinho e Teodoro, seus dois maridos.

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Histórico

O romance, escrito na casa do autor, à Rua Alagoinhas, nº 33, Rio Vermelho, Salvador, Bahia, na segunda metade de 1965 e terminado em abril de 1966, com 1ª edição, pela Livraria Martins Editora, São Paulo, em maio de 1966, 535 páginas, 75.000 exemplares, com capa de Clóvis Graciano, ilustrações de Floriano Teixeira e retrato do autor por Carlos Scliar, integra a coleção “Obras Ilustradas de Jorge Amado”, tomo décimo sétimo, volume XVII, da Livraria Martins Editora, São Paulo, que continuou a publicá-lo até a 22ª edição, em 1975.

A partir da 23ª edição, passou a sair pela Editora Record, Rio de Janeiro, 1975, com 400 páginas, capa de Di Cavalcanti, ilustrações de Floriano Teixeira, retrato do autor por Carlos Bastos e fotografia do autor por Zélia Gattai.

Em 1976, a Editora Record publicou uma edição especial, fora do comércio, a 25ª, com 400 páginas, capa com a foto da atriz Sônia Braga, ilustrações de Floriano Teixeira, retrato do autor por Flávio de Carvalho e foto do autor por Zélia Gattai, sob o patrocínio da Companhia Industrial Sanbra.

A 26ª edição, Editora Record, 1976, tem capa de Benício, ilustrações de Floriano Teixeira, retrato do autor por Flávio de Carvalho e fotos do autor, com a atriz Sônia Braga e o diretor de cinema Bruno Barreto, por Zélia Gattai, 400 páginas.

A edição mais recente é a 48ª, Record, 1997, com texto fixado por Paloma Jorge Amado e Pedro Costa, 448 páginas, capa de Pedro Costa com ilustração de Floriano Teixeira, foto do autor por Zélia Gattai e retrato do autor por Jordão de Oliveira.

Foi publicado em Portugal e traduzido para o alemão, árabe, búlgaro, chinês, eslovaco, espanhol, finlandês, francês, grego, hebraico, holandês, húngaro, inglês, italiano, lituano, polonês, russo, tailandês e tcheco.

Cinema: os direitos para adaptação cinematográfica foram adquiridos por Luís Carlos Barreto, e o filme foi dirigido por Bruno Barreto, com roteiro de Leopoldo Serran e Edmundo Coutinho, produtores Luís Carlos Barreto, Newton Rique e Companhia Serrador, trilha musical de Chico Buarque, protagonizado por Sônia Braga, José Wilker e Mauro Mendonça. As filmagens foram iniciadas em Salvador, em dezembro de 1975, e o lançamento ocorreu em novembro de 1976, superando todos os recordes de bilheteria no país. Foi exibido também nos Estados Unidos, na Europa e na América Latina.

Teatro: adaptação para musical com o título Saravá, nos Estados Unidos, com libreto de Richard Nash e partitura de Mitch Leigh, dirigido e coreografado por Rick Atwell e Santo Loquasto, apresentando Tovah Feldshuh, Michael Ingram e vários outros atores. Encenado por duas semanas em Boston, estreou no Mark Helling Theater, na Broadway, Nova York, no dia 23 de fevereiro de 1979.
Adaptação por Fernando Guerreiro, exibida em Ilhéus e Salvador, uma promoção da Fundação Cultural de Ilhéus como parte das comemorações dos 80 anos do escritor, em 1992.

Televisão: minissérie Dona Flor e seus dois maridos, Rede Globo de Televisão, 1977, adaptação de Dias Gomes, direção de Mauro Mendonça Filho, protagonizada por Giulia Gam, Marco Nanini e Edson Celulari.

Música: inspiração para composições musicais de Antônio Carlos e Jocáfi e de Neneco e Preto Velho.

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