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Casarão do Pelourinho antes da reforma.

 
   
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Reforma do Pelourinho. 1970.

 
 
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Atual fachada da Casa.

 
   
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Vista a partir de janela da Casa.

 
 

Vista do Largo do Pelourinho, onde fica a Casa.

O Largo do Pelourinho está situado no coração da parte mais antiga da cidade do Salvador. Bem ao pé das velhas Portas do Carmo, pertinho do Terreiro de Jesus e de um dos mais famosos conjuntos de igrejas barrocas das Américas: a de São Francisco, toda em talha dourada, a do Rosário dos Pretos, a do Passo e a imponente Catedral Basílica, antes igreja do Colégio dos Padres, onde estudou o poeta Gregório de Mattos e pregava o padre Antônio Vieira.

O Largo do Pelourinho, oficialmente Praça José de Alencar, é assim chamado em razão de ter sido, durante muitos anos, um local de suplício, onde os condenados eram expostos, amarrados ao pelourinho, aos olhos dos passantes e à execração pública. Pelas pedras redondas de seu calçamento, polidas pelo tempo, muito sangue correu, principalmente sangue dos negros supliciados, que, muitas vezes, ali mesmo morriam, vítimas de sua ânsia de libertação e da crueldade dos senhores. Neste local, palco de tantas tragédias, cenário de tantas dores, mas também de intensa beleza, reproduzido em fotos pelo mundo inteiro, cartão postal obrigatório de quantos visitem a cidade do Salvador, está plantada a Casa de Jorge Amado.

A escolha não podia ser mais apropriada. Afinal, o Largo do Pelourinho é um dos marcos deste imenso território que é a obra do escritor mais amado de sua terra. Entre fantasmas do passado e a variada população que hoje ocupa os velhos casarões assobradados, movem-se, com desenvoltura, os personagens deste criador que, extrapolando as fronteiras da língua, levou aos quatro cantos do mundo as histórias de sua gente. Por essas ladeiras perambulavam Antônio Balduíno e o cabo Martim. Aqui morreu Pedro Arcanjo. Quincas Berro Dágua ressuscitou no Pelourinho, onde dona Flor vinha aconselhar-se com a negra Dionísia de Oxóssi. De repente, Jubiabá pode surgir das sombras de uma velha portada. Ou Jesuíno Galo Doido.

Se o passante tiver sorte, talvez ainda sinta o perfume de Tereza Batista que acabou de sumir na outra esquina. Mas, com certeza mesmo, verá pelas ruas centenárias o povo da Bahia alegre, comunicativo, sofredor e orgulhoso de sua terra.

E se tiver um tempo e quiser conhecer um pouco mais da vida, da arte e da literatura da Bahia, a Casa de Jorge Amado está aberta.

 
 

www.jorgeamado.org.br