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Jorge e Zélia
em frente à Casa.
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A Casa é belíssima
e azul. Com sua fachada, onde as janelas afloram recortadas em arco,
domina toda a praça.
Pensando bem, não teria
sentido ser em outro lugar. Quem conhece a Cidade da Bahia e a obra
de Jorge Amado sente que aqui mesmo é que deveria estar sediada
a Instituição que leva o seu nome. A Fundação
Casa de Jorge Amado não poderia ter outro endereço
senão o Largo do Pelourinho, cenário de suas estórias,
cadinho onde se tempera a humanidade bizarra desta metrópole
fervilhante de etnias diversas, diferentes costumes, culturas que
se misturam e formam a argamassa desta civilização
mediterrânea e mestiça que se espalha pelo recôncavo
do golfo pontilhado de ilhas e que tem na capital, nesta cidade
do Salvador da Bahia de Todos os Santos, o terceiro vértice
de um triângulo cuja base repousa entre África e Ibéria.
Plantada bem no coração do chamado
Centro Histórico, sítio tombado pela UNESCO, domina,
do alto do seu mirante, uma fantástica paisagem: ladeiras
centenárias, sobradões de fachadas austeras e beirais
graciosos, telhados que se superpõem até onde a vista
alcança e, mais além, o mar da baía onde, nos
dias mais claros, a silhueta de alguma praia se insinua, mais adivinhada
que vista pelos olhos deslumbrados.
Habitar a Casa é um exercício
de beleza. Nem precisava de outra destinação que servir
de atalaia à contemplação de um cenário
exuberante.
Mas a Casa tem um destino; traçado
desde o início, quando ainda era apenas um sonho. Uma casa
de Letras, uma oficina de Palavras. Ponto de convergência
de idéias geradas ao sabor de conversas, troca de informações,
prazer de descobertas, de achados e perdidos neste mundo fantástico
da criação e do convívio.
Para o escritor Jorge Amado,
cujo acervo literário é o cabedal maior da entidade,
a Casa não deverá jamais se transformar em depósito
de documentos, mas se constituir, cada vez mais, em um permanente
Centro, vivo e atuante: O que desejo é que nesta
Casa o sentido da vida da Bahia esteja presente e que isto seja
o sentimento de sua existência. Que, ao lado da pesquisa e
do estudo, seja um local de encontro, de intercâmbio cultural
entre a Bahia e outros lugares.

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